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terça-feira, 21 de junho de 2011

Poemas de Fabiana Machado

Espetáculo

enquanto sacerdote e guardião
do vosso tempo.
Menina dos olhos de rapina.
seu desejo fora satisfeito?
...
apieda-se de mim.
ao menos tira-me da lenda
dos vossos olhos.
para que eu enxergue o real.
antes
de morto o racional.
assim,
voltando os olhos para trás,
a carne é mediada pelo sistema
e pelo controle mental:
o desejo.
agradeço...
por desvelares o espetáculo
que me alimenta
satisfeito,
cobri-me com as folhas
e o encanto
do teu beijo!

O amor
O amor

furtado é mais doce

saciá-lo às ocultas

enriquece o prazer

ó vida exígua
deleitar-me-ei
com o aroma dos amores
não é contra-natural 
fartar o amor 
que ratifica o desejo
a ninfa que me perturba
habita bosque alheio!
o edifício poético 
da vida feliz
é o amor satisfeito!!!
o excelso gozo
do amor apaixonado é uma cócega!
- na medida é doce! - em demasia um inferno...
Embriaguez Intelectual
Embriaguez Intelectual
para adentrar no palácio do ‘pudor social’ 
e desarraigar os jagunços da in-felicidade:
- convencionalismo e trivialidade –
e os sepultar à sombra de uma trepadeira...
é preciso armadura completa e arma segura
eis me aqui
a vingadora da vida livre!!!
Indecente Paixão
Indecente Paixão
Senti lábio macio burilar meu sentimento e tirar me do vazio, 
Fato abstrato corrompeu minha emoção e
 levantou por um momento a "negra" solidão, 
Viver ausente de indecente paixão é 
vida presente guiada pela lucidez da razão
O mau dos males 
O mau dos males
Peado o saber se apresenta, a mente humana da grande
 massa assim se acorrenta. Para desvirginar 
a cabeça presa aqui exponho, que o fazer-se 
em si mercadoria de sonho, o pobre perdeu a abstração,
 memória e concepção de que o conhecimento 
não é dado porque foi inventado, de que a Lei 
é uma ilusão porque a ordem é uma ficção e
 que a igualdade é mera escada para a subida 
da liberdade do vencedor e que a pena é o mau 
dos males de uma sociedade sovina sem amor.
Estrada Perdida

Estrada Perdida.
Corri pela estrada perdida,
 Fui enganada pelas meias verdades da vida, 
Carrego o peso da marca salgada do caminho,
 Indefinido é a sensação de si sentir sozinho,
 Viajei na sepultura do desespero,
 Mas não permiti meu enterro, 
Senti o sinônimo e o antônimo da respiração, 
No que pese o calabouço do mundo ser dado a alienação,
 Ao passo que tudo parece ser interpretação,
 aos olhos da natureza o caos não passa de ilusão.
Labirinto de Papel.

Labirinto de Papel.
Labirinto de Papel.Fiquei presa no labirinto de papel, 
gritei por ti, Ariel, Fui tentada pelo demônio de lábios de mel,
 lutei pelo meu tudo para não ser infiel, 
Pintei teu rosto no quadro da memória com
 o mágico pincel, ele trocou o sono mau 
pelo sonho fiel, Da boca que derretia 
mel estatelou-se fel

Estou a Levitar


Estou a levitar amparada pelo lombo da gravidade,

 Deslizei sobre as lágrimas da saudade, 
Sem tom nem som move o corpo da felicidade, 
Vivi a arte mágica sob os cabelos da sensibilidade, 
Toquei no coração da realidade, 
Ela disse que tudo que sai dele é desprovido de lealdade, 
Senti debulhada a minha mocidade, 
Quero que tu pagues pelo saque feito
 a minha vaidade, cadê a verdade?
Meu Sangue Virou Água

Meu Sangue Virou Água
Meu sangue virou água, Minha carne esterco,
 Da boca do mundo sai muita frágua, 
Ainda assim, o Verbo não perco, 
Seca ao sol a boa palavra, 
Ao passo que o engodo tem para si poderosa lavra, 
A humana vida atravessa na bestialidade, 
no tempo em que somente o poder faz verdade, 
quer saber? O homem do poder é uma não verdade!













FABIANA MACHADO
Advogada
Feira de Santana-Bahia

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