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terça-feira, 3 de abril de 2012

A responsabilidade pela morte de Jesus

Os chefes dos sacerdotes... Amarrando Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos. Marcos 15.1
Quem foi o responsável pela morte de Jesus?
Nós cristãos somos acusados de anti-semitismo porque — alega-se — tentamos fixar a culpa nos judeus, especialmente seus líderes. A responsabilidade pela crucificação de Jesus, no entanto, é muito mais abrangente; não se limita a apenas um grupo de pessoas. Os evangelistas deixam claro que Judas, os sacerdotes, Pilatos, a multidão e os soldados, todos desempenharam um papel significativo no drama. Além disso, sugere-se em cada caso mais de um motivo.
Judas foi movido pela cobiça; os sacerdotes, pela inveja; Pilatos, pelo medo; a multidão, pela histeria; e os soldados, pela obrigação insensível. Reconhecemos a mesma mistura de pecados em nós mesmos.
O mesmo verbo grego é usado em cada etapa. A palavra é paradidōmi, que pode significar entregar, liberar, desistir ou mesmo trair. Judas entregou Jesus aos sacerdotes. Estes o entregaram a Pilatos, que o entregou à vontade da multidão, que, por sua vez, o entregou para que fosse crucificado.
Mas esse é apenas o lado humano da história. Jesus insistiu que a sua morte era um ato voluntário de sua parte, de modo que ele mesmo se entregou a ela: “Ninguém a tira [minha vida] de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade” (Jo 10.18). E em algumas passagens o verbo paradidōmi reaparece. Por exemplo, “o filho de Deus... me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20).
Entretanto, há ainda mais uma perspectiva a ser considerada, a saber, a ação de Deus, o Pai ao entregar seu Filho à morte. Por exemplo, Deus é descrito como “aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós” (Rm 8.32). 
Finalmente, há uma passagem em que os aspectos divinos e humanos da morte de Jesus são considerados juntos. Pedro pregou: “Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz” (At 2.23). Neste texto a morte de Jesus é atribuída de igual modo ao propósito de Deus e à perversidade dos homens. Não se faz tentativa alguma no sentido de equacionar o paradoxo. Ambas as declarações são verdadeiras.
Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer Atos 4:27-28
Retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo (Editora Ultimato, 2007)
Por Litrazini
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