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domingo, 17 de abril de 2011

Celibato causa angústia e desejo em padres desde o ano 306


Os prazeres da carne mexem com as pessoas das mais diversas maneiras, tendo em algumas situações extremas atos de libertinagem desenfreada. O celibato, dispositivo disciplinar que visa controlar tais desejos, tem história e desde sua primeira defesa, no ano 306, gera dú
vida nas cabeças que devem optar entre a mulher e família ou a disciplina rígida e amor incondicional à Igreja Católica.
"Entre a Batina e a Aliança", esse é o dilema que a professora e pesquisadora Edlene Silva acompanha no discurso sagrado religioso até a contemporaneidade. "O celibato é uma das principais inquietações entre os padres de todo o mundo", destaca a autora.
Arte
A estudiosa das relações entre a sexualidade, religiosidade e misoginia, também afirma que o tema gera cada vez mais debate nas ordens disciplinares, pois "o crescimento vertiginoso do número de padres que desobedecem o voto sacerdotal, seja para contrair matrimônio, seja para darem vazão a práticas sexuais durante o exercício do sacerdócio - e aqui me refiro a diferentes modalidades de relacionamento consideradas ilícitas (com fieis, freiras, pessoas do mesmo sexo, ou mulheres casadas), assim como aos casos de pedofilia."
Além de contar e analisar os dramas e tramas que tomam conta dos conflitos e desejos do corpo, a autora dá voz ao Movimento de Padres Casados -MPC, criado em 1979, ano em que ocorreu o I Encontro Nacional de Padres Casados, na cidade Volta Redonda, Rio de Janeiro.
Leia trechos de "Entre a Batina e a Aliança", e saiba um pouco mais sobre esta conflituosa relação.
O celibato como regra obrigatória para os padres não nasceu com o cristianismo. Foi uma prática cultural construída gradualmente e só se tornou compulsória para o clero latino, no século XII, entre conflitos e discursos contraditórios. A aceitação de uma norma social ocorre em um processo lento, marcado por resistências, para finalmente se tornar um hábito ouhabitus, como uma regra introjetada pelos indivíduos que formam a sociedade.
Os homens e as mulheres que se abstinham de práticas sexuais concebiam a castidade como símbolo do apogeu da natureza humana, liberta da "animalidade e da imundície" que impossibilitavam o contato do homem com a divindade e o restabelecimento da perfeição perdida: "Eunucos voluntários pelo Reino dos Céus' (Mateus, 19:12). O ato sexual seria uma fraqueza da carne, inerente à humanidade, que devia ser controlada pelo matrimônio.
Um dos critérios para punir os comportamentos desviantes dos sacerdotes residentes no Brasil colonial era o grau de publicidade do crime e dependia das denúncias efetuadas para que o clérigo fosse julgado e talvez condenado, ou seja, a tolerância ou a intolerância com os relacionamentos clericais variava de acordo com a situação. Por vezes a sociedade "aceitava" os concubinatos de clérigos, mas também os delatava na presença intimidadora da Igreja.
Autora: Edlene Silva
Editora: Annablume
Páginas: 158
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